23 de janeiro de 2019

CAMPANHA JANEIRO ROXO: SAIBA MAIS SOBRE A HANSENÍASE.

A hanseníase, conhecida também como lepra, é uma doença infecto-contagiosa causada por uma bactéria denominada Mycobacterium leprae. A hanseníase não é hereditária e sua evolução depende de características do sistema imunológico da pessoa que foi infectada. A doença costuma evoluir lentamente e pode levar até 20 anos para que sinais e sintomas da infecção sejam detectados.

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A doença atinge pele e nervos periféricos podendo levar a sérias incapacidades físicas. O alto potencial incapacitante da hanseníase está diretamente relacionado ao poder imunogênico do M. leprae.

A hanseníase é uma doença de notificação compulsória em todo o território nacional e demanda avaliação dos contatantes intra-domiciliares. A notificação é feita pelo médico-assistente no Sistema de Informação de Agravos de Notificação/Investigação.

Atualmente, em todo o mundo, o tratamento é oferecido gratuitamente, visando que a lepra deixe de ser um problema de saúde pública. Atualmente, os países com maior detecção de casos são os menos desenvolvidos ou com superpopulação. Em 2016, o Ministério da Saúde registrou no Brasil mais de 28.000 casos novos da doença.

História da hanseníase

A hanseníase parece ser uma das mais antigas doenças que acomete o homem. As referências mais remotas datam de 600 a.C. e procedem da Ásia, que, juntamente com a África, são consideradas o berço da doença. A melhoria das condições de vida e o avanço do co­nhecimento científico modificaram o quadro da hanseníase, que há mais de 20 anos tem tratamento e cura.

Transmissão

A transmissão do M. leprae ainda não está completamente esclarecida. A transmissão se dá provavelmente por via respiratória, por meio de convivência muito próxima e prolongada com indivíduo que apresente a forma multibacilar. A transmissão ocorre mais provavelmente por contato com secreção nasal de nariz de indivíduos doentes que apresentem a forma lepromatosa (multibacilar), que não esteja sob tratamento, pois nesses indivíduos há uma grande quantidade de bacilos na secreção nasal. Tocar a pele do paciente não representa risco significativo de transmissão da hanseníase. Cerca de 90% da população têm defesa contra a doença. O período de incubação (tempo entre a aquisição da doença e da manifestação dos sinais e sintomas) varia de seis meses a cinco anos. A maneira como ela se manifesta varia de acordo com a genética de cada pessoa.

Tipos

Podemos classificar a doença em hanseníase paucibacilar, com poucos ou nenhum bacilo nos exames, ou multibacilar, com muitos bacilos. A forma multibacilar não tratada possui potencial de transmissão. A hanseníase pode se apresentar como manchas mais claras, vermelhas ou mais escuras, que são pouco visíveis e com limites imprecisos, com alteração da sensibilidade no local associado à perda de pelos e ausência de transpiração. Quando o nervo de uma área é afetado, surgem dormência, perda de tônus muscular e retrações dos dedos, com desenvolvimento de incapacidades físicas. Nas fases agudas, podem aparecer caroços (nódulos) e/ou inchaços (edema) nas partes mais frias do corpo, como orelhas, mãos, cotovelos e pés.

Classificação da hanseníase:

1. Paucibacilar:

Hanseníase indeterminada: estágio inicial da doença, com um número de até cinco manchas de contornos mal definidos e sem comprometimento neural

Hanseníase tuberculoide: manchas ou placas de até cinco lesões, bem definidas, com um nervo comprometido. Podendo ocorrer neurite (inflamação do nervo).

2. Multibacilar:

Hanseníase borderline ou dimorfa: manchas e placas, acima de cinco lesões, com bordos às vezes bem ou pouco definidos, com comprometimento de dois ou mais nervos, e ocorrência de quadros reacionais com maior frequência

Hanseníase virchowiana: forma mais disseminada da doença. Há dificuldade para separar a pele normal da danificada, podendo comprometer nariz, rins e órgãos reprodutivos masculinos. Pode haver a ocorrência de neurite e eritema nodoso (nódulos dolorosos) na pele.

Causas

A hanseníase é uma doença contagiosa que em 1941 teve sua primeira classificação. A doença possui longa evolução (de 2 a 10 anos) e é provocada por um bacilo intracelular - M. leprae - que atinge principalmente pele e nervos. O homem é o principal reservatório natural do bacilo, mas também pode ser encontrado em esquilos, macacos e principalmente tatus. Sua principal forma de transmissão é a respiratória.

Fatores de risco

A hanseníase pode atingir pessoas de todas as idades, contudo é a incidência é maior em homens. Como a doença demora para se manifestar é comum que só nos adultos os sinais e sintomas sejam observados, mas normalmente a hanseníase é adquirida ainda na infância. 

Os principais fatores de risco da hanseníase são:

Hábitos de higiene precários (particularmente quanto à lavagem das mãos)

Contato com indivíduos sem tratamento e que apresentem a forma multibacilar da doença.

Sintomas de Hanseníase

Os sintomas da hanseníase incluem:

  • Sensação de formigamento
  • Fisgadas ou dormência nas extremidades
  • Manchas brancas ou avermelhadas na pele
  • Perda da sensibilidade ao calor, frio, dor e tato
  • Áreas da pele aparentemente normais que têm alteração da sensibilidade e da secreção de suor
  • Nódulos e placas em qualquer local do corpo.

Se não for tratada, os sinais da hanseníase avançada podem incluir:

  • Diminuição da força muscular (dificuldade para segurar objetos)
  • Paralisia das mãos e pés
  • Encurtamento dos dedos devido à lesão dos nervos que controlam os músculos
  • Úlceras crônicas na sola dos pés
  • Cegueira
  • Perda de sobrancelhas
  • Edema do nariz e orelhas (inchaço).

Diagnóstico de Hanseníase

O diagnóstico de caso de hanseníase é inicialmente clínico e epidemiológico, realizado por meio de exames dermatológicos e neurológicos para identificar lesões ou áreas de pele com alteração de sensibilidade e/ou comprometimento de nervos periféricos, com alterações sensitivas e/ou motoras e/ou autonômicas.

Exames

Os principais exames para confirmação da hanseníase são:

  • Exame baciloscópico de esfregaço cutâneo biópsia cutânea
  • Pesquisa do DNA da bactéria em fragmentos de tecido (PCR)
  • Pesquisa de anticorpos anti-PGL-1 no sangue (exame só disponível em laboratórios de pesquisa).

Tratamento de Hanseníase

O tratamento é gratuito e fornecido pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Varia de seis meses nas formas paucibacilares a um ano nos multibacilares, podendo ser prorrogado ou feita a substituição da medicação em casos especiais. O tratamento é eficaz e curativo. Após a primeira dose da medicação não há mais risco de transmissão durante o tratamento e o paciente pode conviver em meio à sociedade. O tratamento da hanseníase é administrado por via oral, consiste na associação de dois ou três medicamentos e é denominado poliquimioterapia.

Os antimicrobianos usualmente utilizados no tratamento são a rifampicina, dapsona e clofazimina. E embora o tratamento possa curar a doença e evitar a sua progressão (piora) que piore, não reverte os danos nos nervos ou a desfiguração física que podem ter ocorrido antes do diagnóstico. Assim, é muito importante que a doença seja diagnosticada o mais cedo possível, antes que ocorra qualquer lesão permanente do sistema nervoso.

Prevenção

A prevenção da hanseníase baseia-se em em medidas básicas de higiene (lavagem de mãos) e aplicação da vacina BCG em todas as pessoas que compartilham o mesmo domicílio com o portador da doença.

29 de janeiro - Dia do combate a Hanseníase.

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